sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Hipocrisias

Olha, as pessoas estão todas muito irritantes e pedantes. Não digo isto somente por não concordar com o que dizem grande parte do que os que se dizem informados (pela Veja, pela Globo, pelo Terra, etc). É pra falar de mudança de ideais e de atitudes? Hum, tá, o Fernando Henrique foi sempre de direita? Ah, não, pera aí, foi exilado, e disse, em algum momento, que aquilo era passado ou algo desse tipo. Não acho corrupção bonito, nem acho que não seja praticada por quem está no poder agora, mas atentem bem: ela não foi inventada pelo Lula, pela Dilma ou por seus companheiros, ela vem de muito tempo, de muitos séculos, desde quando esse mundo quase não era mundo.
A gasolina sobe é ruim. Lembro muito bem de ficar horas numa fila infindável de fuscas, brasílias e corcéis, e não era uma ou duas vezes por ano, eram muitas. Mas isso era normal, o preço de hoje não era o de amanhã, e não venham dizer que o salário acompanhava esse aumento.
Pessoas se indignando porque a presidente não faz nada em relação aos que morreram em Santa Maria? E quando o governo matava as pessoas, aí podia? Tortura, pau de arara... Não aparecia, né!? Ah, não, não tinha Face, até porque, quem escrevesse, ia meio que desaparecer no ar.
Não sou a pessoa mais politizada do mundo, mas essa inteligência seletiva me irrita um bocado. Falem de tudo, ou não falem de nada.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Last Kiss

Sim, a resposta é sim.
Poderia ter sido eu, minha vizinha, meu namoradinho da faculdade.
Poderia ter sido a Festa dos 100 dias da minha turma, poderia ter sido a comemoração por ter entrado na Universidade, poderia ser a balada de fim de semana.
Poderia ter sido uma amiga, dez amigos, um  primo, uma tia, um irmão, um filho.
E foram.
Muitos filhos, algumas mães.
Muitas chamadas não atendidas, mensagens de caixa postal.
Não do outro lado do mundo, aqui ao lado.
Suficientemente perto para ver os helicópteros chegando e trazendo sofrimento, para ouvir o som agourento das hélices, o grito das ambulâncias.
Próximo o bastante para a nuvem negra esmagar o coração, tirar o ar e encher a alma de lágrimas.
Por isso ame.
Hoje, não amanhã.
E diga. E demonstre. E acalante. E afague
Passe no quarto e veja que sim, as camas estão todas ocupadas.
Que, mesmo triste, seu coração segue batendo.
Então agradeça.
Foto: Giordana Motta (Avenida Osvaldo Aranha, Porto Alegre, Brasil)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Figurinha repetida

Clichê.
Sim, Gramado sempre soou aos meus ouvidos como um passeio repetido, algo que se fazia quando não havia nada melhor. Comida repetida, sabe?
As experiências de infância não traziam nada demais a minha mente, era um lugar feito de coisas caras, com casas bonitas, bem verdade, mas que para qualquer diversão diferente pagava-se. Não era interessante, provavelmente por nunca ter participado muito desse mundo bem pago.
Pois bem, aqui estamos. Gramado, Rio Grande do Sul, Brazil! Nossa cidade exportação, Natal, Páscoa, Festival de Cinema e inverno para nem todos.
Vi um filme, certa vez, que falava que sabemos se um restaurante é bom pelo seu banheiro. O que dizer, então, de uma cidade que tem um banheiro público - gratuito - mais limpo que os dos shoppings da minha cidade?
Hotéis e mais hotéis, pousadas, albergue, restaurantes, mirantes, parques. E organização. E limpeza. E boa educação! De todos, desde a recepção do hotel até a criança que brinca na praça. Automática, cultural, intrínseca. Nem sempre vai ser preciso pedir informações, com sorte alguém pode ouvir enquanto caminha na rua e responder, antes mesmo que você pergunte.
Não é um lugar para economia, tampouco para achar grandes promoções. Turismo diferenciado, preços diferenciados. Requer tempo e algum dinheiro; muito ou nem tanto, depende onde irá dormir, comer ou passear.
Ainda não conheço - mesmo que, provavelmente, haja - alguém que tenha reclamações sobre o atendimento, a estrutura ou outras características turísticas do nosso pedacinho da Europa. Este é o ganha-pão da cidade, muito levado a sério e bem feito, para deixar aquele gostinho de quero mais.
Fico pensando se pelo mundo afora as cidades turísticas são assim. O caso é que Gramado sabe ser única e especial, dá vontade não só de voltar, mas de ficar!
É clichê. É a lua de mel, o passeio de formatura, a excursão dos professores. É o nosso pedaço do Rio Grande mais globalizado (aí está o Parque Gaúcho, com a sua tradução do que é um vazio, que não me deixa mentir), mais teatral e mais internacional.
Só é assim porque nos convida a voltar.
Gostei de ser clichê.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ferinha

Não tenho a menor de ideia de quanto tempo este blog durará, mas se sobreviver até dona Bia aprender a ler, estou encrencada! Pode ser falta de organização, falta de tempo, duas filhas, dois empregos, o fato é que por aqui quase nada consta sobre a minha pequena. E há muito que se falar!
Desde a última escrita, além do aniversário de um aninho, muita coisa se passou. Beatriz só veio a reforçar minhas suspeitas: teimosa, muito brava e, para compensar, a criaturinha mais carinhosa e chameguenta do mundo.
Das peripécias não me lembro de todas, obviamente, até porque não foram poucas! E não coloquemos as culpas na suposta professora, pois fez coisas que a mana nunca, em quase quatro anos, fez: virar a cômoda, pular para fora do chiqueiro, escapar de toda e qualquer coisa que a prenda - desde muito cedo! - e por aí afora.
Parece que tudo gira em torno de afirmar as diferenças, pois embora a voz seja praticamente a mesma e o rosto esteja cada vez mais a se parecer, de resto tudo vai aos opostos. Beatriz ama todo e qualquer bicho, só se ressabia com Lênin, o cão gigante da vó Bebel; será daquelas que aparece com o cusco mais estropiado e pulguento da vizinhança, compartilhando da cara de abandono, quiçá com lágrimas em seus grandes olhos.
Personalidade não falta, brabeza também não. Na primeira vez que levou um tapinha na mão (puritanos de plantão, sem drama!), quando tentou girar o botão do fogão, devolveu de pronto, sem nem pensar. Com a irmã é a mesma coisa, não agradou lá vai um apertão, uma mordida ou, o clássico, uma série de tapas. Coisa que não se vê por aqui, tampouco a irmã costuma fazer com ela. Ainda tem o tal do NAUMMM... Personalidade, não adianta.
Por outro lado, se quiser melhorar o dia, dê um colo, peça um beijo ou um abraço. Agarra na gente, tal qual um macaquinho na sua mãe, entrelaça as pernas na cintura e abraça, como se nunca mais fosse largar. Dorme sozinha, desde sempre, mas ultimamente vira a poupança para cima e fica a dar-se tapinhas, ensinando como quer ser nanada. Fala pelos cotovelos, faz as mais lindas caras de surpresa, diz "ué!?" quando não entende algo e "mamãe" nas mais diferentes entonações. Briga com a mana o tempo todo, mas é só perdê-la de vista que sai com um "Enêeeenaaaa!!!!" para que qualquer um ouça a sua voz rouquinha.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

... E a gente vive junto, a gente se dá bem, não desejamos mal a quase ninguém...

Hoje acordei com um gostinho meio amargo de saudade. Fim de ano chegou, férias de verão... Não sei se não nos demos por conta antes, ou se negamos, mas o fato é que hoje - bem provavelmente e se Deus quiser! - vai ser o último plantão da minha Equipe.
Herdei o time quase que com a atual formação titular, mas tenho certeza que, nesses quase dois anos, mudamos um pouco de cara, ajustamos o nosso entrosamento, enfim, nos tornamos melhores. Chegamos no ponto de não precisar falar, de cada um saber para onde correr, de estar um passo a frente do problema; um momento de correria para depois ver dar tudo certo e sentir orgulho de ter feito o bem para duas ou mais pessoas.
Não estamos isentas de falhas, não somos perfeitas e nem sempre ficamos contentes com o que ouvimos. Houve dias de mal humor, de mágoa, de birra, de erro... Ouvimos as críticas - as construtivas, sinceras e feitas de forma civilizada - , muitas vezes não gostando do que nos estava sendo dito, mas nem por isso deixando de pensar no assunto e de tentar melhorar.
Passamos mais tempo juntas do que com a maioria dos nossos familiares, compartilhamos situações engraçadas, emprestamos o ombro para chorar, tivemos muitos e duros motivos para chorar, falamos, calamos, ouvimos, brincamos... Nos tornamos família, e isto foge ao entendimento de muitos.
Como família que somos, queremos o melhor para cada um de nós, por isto desejo que seja o nosso último plantão. Quero que todas nós consigamos tomar os novos rumos das nossas vidas, tão logo seja possível, pois é por isto que lutamos e é isto que merecemos!
Vocês moram no meu coração e podem ter certeza que foram a melhor equipe que eu tive! Imperfeitas, como qualquer ser humano, mas unidas, honestas e responsáveis como poucos. 
Chegou a hora de descobrirmos se estávamos certas, se vão lembrar do tempo "daquela Noite 2 do CO, aquela que tinha a Pati, a Aninha (Clarinha!?), a Marcinha Lindinha, a Márcia Mãe e a Heliane".

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

1

Um ano.
Quantas vezes pensei em te contar algo, em te convidar para tomar um caldo verde, em filar alguma entrada no São Pedro.
Sempre que mudo o cabelo, que buzino na frente da casa da mãe, que me acho gorda (tu dirias que estou magra), que me acho magra (tu dirias que estou "fortinha"), que a Bia resmunga num "rosnado", que folgo na segunda-feira... Muitos sempres na memória.
Sei que estás melhor que nós, mas meu coração não. 
Essa Neguinha aqui inventa muita moda, mas não achou um jeito de preencher esse vazio. Saudades eternas, Vô, ainda tínhamos muitas risadas para darmos juntos!
 
Neguinha

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Inveja ²

Pois bem, tempos atrás manifestei minha insatisfação em relação à minha forma (falta de forma, excesso de curvas, tanto faz) física, dizendo que a gestação era um atalho rumo aos tamanhos especias. Dito isto, houve quem, em uma certa rede social, até de infeliz me chamasse! Honra e felicidade defendidas, mas ideias mantidas.
Depois de ter problemas nas costas e em um dos joelhos, ambos médicos deram-me a mesma sentença: sedentarismo. Lá fui eu, consulta com a endocrinologista, reeducação alimentar e mais uma doutora a mandar-me aos exercícios. Vergonha na cara criada, dinheiro reservado, matrícula na academia.
Assim vou, três meses de pequenos passos. Comecei achando que iria duas vezes por semana para a malhação, mas, na semana seguinte, já estava a bater meu cartão por três ou quatro vezes. Fora o chocolate - e por ele eu corro mais! -, posso dizer que a academia é um grande vício.
Agora ando assim, a sorrir e a arrancar sorrisos, com a satisfação de ter várias roupas a escolher, de entrar em algumas que não me serviam há dois anos e de gostar um bocado do que vejo no espelho. Passeio com minhas filhas de cabeça erguida, sentindo-me a mãe-de-duas mais sarada do pedaço (mesmo que ainda não seja), não constrangida com uma barriga de ex-grávida.
Seis quilos e um manequim a menos, posso olhar para a sala de espera da escola com orgulho, mais sendo invejada do que invejando.