Mutável.
A vida é assim.
Ouvi por muitos anos - 13, para ser mais exata -: a característica mais importante do homem é a capacidade de adaptação. E nisso reside nos adequarmos não só àquilo que escolhemos, mas a tudo que a vida coloca diante de nós.
Vai parecer uma constatação meio ressentida, mas tudo acaba. Se não por ser dado um fim em vida, por alguma das partes deixar este mundo mortal. É o curso natural das coisas.
Porem, nem todo o fim é derrota.
Não importa o enredo, chegar ao ponto de admitir o final de um relacionamento é igualmente dolorido, seja a história bonita ou não. Assumir que não se é mais a mesma pessoa, que não tem mais a mesma capacidade de fazer alguém feliz é, não por ironia, triste. É um castelo que cai, uma série de sonhos que vai, um arranjo de família que se transforma.
Mas... dizer que o casamento não deu certo? Desculpa, discordo, e muito!
Deu certo enquanto éramos o certo um para o outro.
Deu certo enquanto éramos 100%, enquanto o meu sorriso morava lá e o dele, cá.
Até porque, não tem como achar que não deu certo algo que gerou dois lindos frutos, educou e continuará educando. Algo que construiu patrimônio, dividiu experiências, cresceu, amadureceu, enfim, "virou gente" ao longo de mais de uma década. Somos pessoas muito melhores e mais experientes, e isso aprendemos juntos, as coisas boas e as nem tanto.
Éramos um casal legal. Nova meta: ser um "não casal" igualmente legal. Temos dois pedaços de nós misturados, crescendo e aprendendo, e por elas seguiremos tentando ser pessoas melhores, sejam lá quais forem os novos arranjos familiares.
Só quero sorrisos nos rostos de todos.
Admitir a derrota também é uma vitória.
Amarga, mas a vida adoça <3 br="">3>
A Amélia era feliz e não sabia! Bom, se não era feliz, era no mínimo bem menos estressada... Abaixo a perfeição! Um espaço para mancadas, gafes, explosões de raiva e tudo mais o que tentamos esconder.
domingo, 19 de julho de 2015
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
R.I.P.
E se finalmente o homem descobrisse como viajar no tempo, para onde você iria? Ou voltaria?
Para mim? Uma passagem de ida e volta ao meu velório, por favor.
Não é nenhum tipo de palpite sobre minha morte, não é curiosidade mórbida sobre o quando, tampouco sobre o como. É um parâmetro sobre a minha vida.
Aniversários, casamentos, formaturas, jantas de final de semana cheios. Mas e o final?
Quando você não puder dar nada em troca?
Quantas pessoas vão se aglomerar no horário de visita do hospital?
Quantas cadeiras vão sobrar ao redor do meu caixão?
Quantas histórias e quantas risadas serão dadas?
Qual o tamanho do vazio que irei deixar?
Quantas rosas, quantas faixas, quantos sinceros descanse em paz?
Sim, quero muitas pessoas, preferencialmente de bengalas, celebrando a vida que tive, os papéis que desempenhei, as almas que toquei. Rindo das minhas mancadas, aprendendo com meus erros, fazendo com excelência o que fiz de forma medíocre.
Quero fila para uma última olhada, falta de lugares para sentar, gente encostada na cerimônia do lado, par ou ímpar para decidir quem vai me carregar. Acima de tudo, quero que todos se divirtam pensando o que eu diria disso tudo.
Minha meta: viver por um (muito distante) velório cheio.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Ei, você aí
Não sou dona da razão, nem das minhas próprias, o que dizer então dos saberes comuns. Porém, parece que perdi algum capítulo, pois Deus deve ter distribuído secretamente alguns títulos de onipotência mundo afora. É muito fácil ficar eternamente estagnado no nosso porto seguro, onde sabemos tudo (?), onde temos o domínio da situação. Figurinha carimbada.
Até que um dia - pois assim é a vida -, aparece algo que não dominamos, uma pergunta fora da rotina e lá se vai toda a sapiência. Voltamos ao posto de reles mortais, imperfeitos e com um abismo de dúvidas. E aí apresentam-se os caminhos: o da humildade, em reconhecer que ainda há o que aprender, ou o da soberba, empinando o nariz, levantando o crachá de Sabe-Tudo e fazendo-se de surdo para as vozes da razão.
Adaptação. Capacidade de. Isso faz o nosso ser ser humano.
Há mais de ano perdi o endereço da minha zona de conforto. Tenho andado para longe dela, respondendo muitos não sei, não com orgulho, mas com franqueza. Já planejei, desisti e, quando achei que a estrada levaria para o certo, veio o duvidoso. E lá vamos nós novamente, rumo ao desconhecido, a dúzias de "vejo em casa e depois te digo", de "tu pode me dar uma ajuda aqui?", de "a de antes sabia como fazer", bem para longe do meu estoque de respostas.
Navegar é preciso.
Para quem fica ancorado, deixo um aceno educado, e o lembrete de que a tempestade não passa somente em alto mar.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
... e lá se foi!
Assim voam as coisas, e é incrível o quão próximas elas parecem quando olhamos para trás. Uma data de mil novecentos e noventa e poucos, e uma cara estupefata quando, em segundos, fazemos os cálculos de quantos anos passaram desde que o filme foi lançado, que aquela música fez sucesso ou o tanto de idade e responsabilidades já tínhamos há tanto tempo atrás. Mês passado era meu coração adolescente partido a queimar meu peito, há pouco mais de uma semana provas mil da faculdade a me enlouquecer e ontem a felicidade da vida de recém casada em nosso apartamento alugado de um quarto. Passam horas e vem a primeira filha, em instantes aprende tanto, logo ganha uma companheira, e há meia hora as duas já se governam para muitas coisas que, cerca de uma hora atrás, não faziam ideia. Vai a vida, a toque de caixa, sem replay, olhos atentos e coração aberto, pois ela passa sem avisar.
sábado, 6 de julho de 2013
Coração Ferido
Morei toda a minha infância no subúrbio, ir ao centro era um evento. A maioria das vezes só passava pelos lugares mais famosos, era sempre muito para se fazer, pouco tempo para dar voltinhas.
Um dia, não me lembro que idade eu tinha, fui levada pelo meu pai em uma sorveteria que ele ia quando criança. Era dentro do Mercado Público. Não gostava muito daquele lugar, era cheiro de peixe por todos os lados, gente por todos os lados. Deveria ter algum tipo de portal na entrada da sorveteria, comi um sorvete com nata (na ocasião achei estranho aquele sorvete que não era gelado, embora fosse delicioso) em um pratinho saído de algum lugar do passado, acompanhado por um pequeno copo d'água.
Demorei muitos anos até voltar ao Mercado. Nesse meio tempo, ele foi reformado, modernizado. Quando comecei a faculdade era ali ao lado que pegava o segundo ônibus da jornada, certo dia resolvi entrar e procurar a tal sorveteria.
Já não havia mais tanto cheiro de peixe, no corredor central havia uma fila aromática das mais diversas ervas, penduradas em bancas em que não se via a estrutura, tamanha era a fartura de artigos, comandadas por homens sempre dispostos a elevar a autoestima de quem por ali passava. Ao centro, uma segunda Esquina Democrática, um quadrilátero de queijos, presuntos e todos os outros fiambres existentes, embalados com o mesmo papel pardo e cordão de tantos tempos atrás.
A sorveteria seguia lá, com as mesmas taças, delícias e copinhos d'água. Pretos-velhos, erva-mate, vinhos, chocolates, utensílios, patuás, produtos naturebas de toda ordem, doces, salgados, frutas, flores, peixes, cafés - ah, o café...!
Não achou em nenhum lugar? Deve ter no Mercado!
Ah, mas isso tu não acha em nenhuma outra loja, só tem no Mercado...
É o coração da cidade, feito de tantos corações. Já anteriormente ferido, maltratado, revitalizado, que novamente tem suas coronárias testadas. Mas ele é forte, pois é feito de povo e de muito amor.
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Originalidades felinas
Funciona mais ou menos assim: não importa o que você pensou, planejou, o quão pertinente ou necessário seria, a decisão final é deles. Filhos? Não. Gatos.
Casais sem filhos tomam a equivocada decisão de adotar um cão (depois de fracassarem com o vasinho de violeta) para testar seus talentos como pais. Pois deveriam adotar um gato! Filhos não obedecem, nem sempre são tão companheiros e não serão todos os dias que "abanarão o rabo" quando você chegar. Não falo isso com ressentimentos - tanto em relação aos filhos, quanto aos gatos -, só seria válido um treino mais real.
Pois voltando aos felinos, é uma versão piorada das crianças. Sabe quando você compra um brinquedo, e a pessoinha pega a caixa? Eles sempre pegam a caixa, não importa se o brinquedo era deles, se o sapato era seu ou se o leite era da família.
Caminha para dormir? Esquece. Todo ou qualquer lugar ao sol, seja sobre a mesa, sobre o pano de prato branco (este está no Top Ten), na frestinha da janela ou no meio de qualquer duas pessoas que se amam; se não for no meio não tem graça. Caverna de edredon, travesseiro, roupa do dono - principalmente sendo o oposto da cor dominante do bichano. Vale também toda e qualquer parafernália elétrica que produza algum calor.
Madame Nora, insatisfeita com a tecnologia que encolheu televisores e monitores aqui de casa, resolveu pousar seu corpanzil negro por sobre o roteador, o minúsculo roteador. O apreço pelo computador, aliás, é tremendo, pois nada mais divertido que parar em frente a tela (em uso) ou entre o teclado e o digitador.
E ali está ela, parada qual e tal um totem informático, rabo para um lado, antena para o outro, diferenciada somente pelas luzinhas verdes que piscam sob o seu traseiro. Pode passar horas ali, negando ofertas sinceras de colo, afinal, as coisas são quando e como ela quer. Mas o que mais autêntico e cativante que uma criatura cheia de personalidade?
terça-feira, 18 de junho de 2013
17 de junho de 2013
Ontem foi um dia muito importante, daqueles que só acontecem uma vez na vida. Para mim, o aniversário de quatro anos da minha primeira obra de arte, dona Helena, seus lindos olhos verdes, cabelos loiros e toda a esperteza de que se há notícia.
Muito provavelmente, daqui alguns anos, esta data ainda apareça nas buscas pela internet (ou seja lá o que haverá no futuro), mas pelas inúmeras manifestações Brasil afora. Vai constar como o dia em que o povo foi às ruas, que o país acordou ou algo deste gênero.
A queixa inicial era o preço da passagem, tendo começado todo o movimento pelas bandas do sul: preço subiu, povo parou a cidade, preço desceu. Outras passagens subiram, mais povo às ruas, as verdadeiras razões se agregaram, as massas se avolumaram, o país parou.
Vencida a lorota da imprensa dominante, vieram as verdadeiras queixas: dinheiro sem limites para as obras da Copa, altos salário dos políticos vs. as tantas e infindáveis carências do Brasil - saúde, educação, salários dignos, transporte público, etc, etc e outros tantos etc.
Não tenho absolutamente nada contra os protestos, não creio que o país devesse ser sede de coisa alguma, certamente falta muito recurso em todas as áreas. Porém, e sim, porém, as coisas são muito melhores do que foram em outros momentos de gastança.
Juscelino fez Brasília. Um elefante branco, no meio do absoluto nada, que serviu para dar emprego aos muitos candangos e para gastar cerca de 1 BILHÃO de dólares. Como era no meio do nada, praticamente todo o material veio de avião. Analfabetismo na época? 16%, hoje é a metade.
Médici começou - e ninguém terminou - a Transamazônica. Aproximadamente SETE BILHÕES de dólares, um bom punhado de gente morta, para um arremedo de estrada que em sua maioria nem asfaltada é, motivo pelo qual passa intransitável metade do ano. O pib do país era US$ 35 bi (atualmente é de 239 bilhões). Obviamente ninguém saiu para protestar, era ditadura, não se voltava para casa para contar o acontecido.
Resumo da ópera? Muito provavelmente as pessoas que realmente movem o governo - vereadores, deputados e senadores - eram a mesma maioria que são agora: elitistas, filhos de coronéis, de empresários, povo de dinheiro, que eleição sim e outra também, se elegem pelo voto desse mesmo povo que sai às ruas. A pessoa da vitrine muda, mas os bastidores, não. Não adianta eleger um presidente do P-Sol e colocar o neto do ACM - e todos os seus coleguinhas de escola particular - no mesmo saco.
Só colocar a cara na rua não basta. Tem que colocar a cabeça para funcionar.
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