quinta-feira, 4 de novembro de 2010

"Paz, eu quero paz..."

Sim, eu sumi.
Esse negócio de gerar uma pessoa dá um cansaço físico e mental sem tamanho!
Não que não houvesse muitas coisas de que se falar, mas a vontade de dormir, de ficar olhando a Helena brincar ou de não ter que pensar em como escrever sempre ganha. Fora a ideia de não ter tempo nenhum daqui há alguns meses, isso também antecipa a minha fadiga.
Mas o tópico de hoje é breve, mini-desabafo.
Sabe aqueles momentos especiais da vida? Vestibular, casamento, formatura, filhos... É tão bom poder aproveitá-los em sua plenitude, sem se preocupar com o mundo lá fora, né? Não sei!!! Porque em nenhum deles pude dizer tal coisa, que me dediquei somente a vivê-los e aproveitá-los , a me preocupar somente com os problemas relacionados a eles, sem ter que resolver as pendengas usuais e as outras que parecem se atrair pela minha felicidade. Dessa vez não seria diferente.
Mas tudo bem, não vou citar milagres e nem santos, já foram ditas muitas coisas ultimamente.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sono

Peço perdão aos meus poucos e fiéis visitantes, sei que ando em dívida com o meu blog, mas tenho uma justificativa plausível: gravidez.
Sei boa parte das explicações científicas, mas a realidade foge aos livros. Se há um sintoma que não é devidamente quantificado na literatura, este injustiçado é o sono.
Sono de grávida é algo fora do normal! Chega próximo ao sono do recém nascido, só da vontade de acordar para coisas inevitáveis, como fazer xixi e comer (nesta ordem). É uma moleza sem fim, poderia passar o dia só mudando de lado...
Esta aí a minha explicação, um cérebro comandado por Morpheu, longe de estar cheio de ideias.

sábado, 4 de setembro de 2010

HelenaMaria!!!

HelenaMaria!!!
Grita o pai dela, no momento em que a dita põe abaixo os DVD's, pela quinta ou sexta vez. Já avisei para parar de chamá-la assim, vai achar que é este mesmo o seu nome.
Impressionante como adquirem velocidade, principalmente se o objetivo é ilícito, como inventam artimanhas e escusas. E como esticam aqueles braços! Os objetos estão cada vez mais para trás, e vira e mexe são alcançados.
Há de ser uma moça muito católica essa minha filha, porque sua maior diversão é adentrar meu quarto e carregar, com as duas mãos, o Catecismo que se encontra no nosso criado mudo. Aliás, os Catecismos, leva uma cópia de cada vez, folheia e depois segue o curso natural: a boca. Não podendo pegar estes exemplares se satisfaz com A Boa Semente, com o Santo de Cada Dia ou, em último caso, Como Orar.
Artes a parte, não tenho quase nada do que me queixar, até fica no colo, nem que seja para tomar seu leite de canudo (ou iogurte, contanto que seja gelado!), dá o abraço mais gostoso do mundo, deita a cabeça no meu ombro e até dá uns resmungos para "se nanar". Penso que ainda não fala para não ter que dar-me explicações.
É um amor imenso, não vejo outra palavra para defini-lo, incondicional e crescente. Ela que não saiba, mas mesmo as traquinagens são dignas de admiração, pois é uma graça ver alguém daquele tamanho abrir a porta da cristaleira devagar, para não fazer barulho, ou sair caminhando em alta velocidade, com algo que não lhe pertence nas mãos.
Um pedacinho de nós, o mais amado de todos!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Números

Gostaria de pedir desculpas àqueles que passam por aqui para lerem minhas irrelevâncias. Sorte minha que escrevo porque gosto, pois se fosse esse o meu emprego estaria na rua.
Tive um certo branco, bloqueio ou qualquer outra palavra que sirva para descrever uma ausência de ideias. Não por falta de acontecimentos, podem ter certeza, mas por não conseguir organizá-los em mais de uma frase.
Acho que finalmente conseguirei... Um momento Erin Brockovich.
30: idade que completei no último dia 13;
4,5: quilos que sobraram depois da gravidez;
40: tamanho das minhas calças, para o qual retornei, mesmo com o resquício ali de cima;
1,2: idade da minha filha;
1: vezes que fiz sexo sem nenhuma proteção;
14: dia do meu ciclo no evento acima;
717,5: valor do beta-HCG que fiz em 21/08/2010;
2: gestações que já tive;
5+4: semanas e dias da minha gravidez atual;
10x10x10... : minha felicidade e as boas coisas que a vida me guarda!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Nada fantástico!

Não sei se vocês já viram o filme Olha Quem Está Falando, um bem antiguinho, com o Travolta e a Kirsty Allen. Tem uma cena em que ela se olha no espelho, com os peitos enormes, toda bagunçada, se sentindo um lixo e o Travolta chega, ela tenta se arrumar e nada fica bem...
Domingo estava a ouvir o Fantástico, uma matéria sobre o Dia dos Pais, quando anunciaram o crime: iriam visitar uma mãe que recém havia dado a luz, uma puérpera!!! Hormônios, mamas estourando, barriga de 6 meses (e sempre tem algum grosso para olhar e perguntar "mas não nasceu?"), fora uma ausência de auto-estima, até porque não há tempo - e nem vontade - de parar em frente ao espelho.
A beleza desse momento é totalmente poética, emocional, afetiva, amorosa, é a consagração de uma união, o milagre da vida... Mas a beleza física? Ih, há umas 40 semanas de distância e, a não ser que seja uma Gisele, ela não volta assim no mais, normalmente não volta nem na velocidade em que foi.
Mas não estou me denegrindo ou reclamando do meu corpo atual (não desta vez), só estou imaginando mostrar, em rede nacional, essas formas peculiares, as olheiras, a cara de sono (definida por mim como "cara de puérpera", adjetivo que uso quando saio sem maquiagem nenhuma), o cabelo bagunçado...
Deve ser por isso que não nos importamos quando as visitas só tem olhos para o bebê. Mas no Brasil todo, alguém deve ter reparado na mãe.

sábado, 7 de agosto de 2010

TPM

O assunto não é novo, mas, em virtude dela, preciso externar meus sentimentos...
Não sei de onde vem essa sensação, e me custa acreditar que somente hormônios possam causar tanta ira. Sim, não vejo nada melhor que um dos pecados capitais para descrevê-la.
Vou tentar materializar o turbilhão, vai que ajuda!?
Nunca pensei em trabalhar como cuspidora de fogo, mas imagino que, se o artista engolisse ao invés de cuspir, seria mais ou menos o que sinto na boca do estômago. Um calor imenso, que começa bem no meio de mim e vai subindo, sem precisar de nenhum grande motivo para ser desencadeado.
Junte-se a isto um zumbido, que toma conta dos pensamentos - nenhum executável, daqueles que fica o diabinho ao lado -, sucedido por uma tremenda dor de cabeça e uma vontade de esmurrar, espancar, destroçar, etc, o estopim do evento. Para finalizar, a capacidade de dizer os maiores palavrões e impropérios de que se tem conhecimento, por pouco mais que nada.
Trânsito, roupa que não serve, filho que chora, casa desarrumada, funcionário ruim, colega que não se manca, campanha política, o frio do sul, bagunça do gato, cortina rasgada, o mundo, as dúvidas... Tudo isso, qualquer coisa dessas ou algum outro motivo idiota.
Espero não ser encaminhada para internação psiquiátrica depois deste desabafo! Precisava somente dar forma ao meu monstro.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Sapos

Há 10 anos atrás meus pais se separaram, e muitas coisas se perderam nesse processo. Muitas materiais, mas são as imensuráveis as que mais fazem falta.
Não fui uma adolescente rebelde, mas era bem desaforada e sem papas na língua. Isso me foi de grande valia, pois conseguia expressar muito bem para o meu progenitor as minhas (e não só as minhas) opiniões sobre as suas escolhas e seu novo estilo de vida.
Veio a faculdade, a tal da UFRGS, cada um por si e (dependendo da causa) Deus por todos. Descobri que o Campus do Vale era muito longe, que tem professor na faculdade que não sabe ensinar e resolvi dizer isso na cara da "mestra". Me irritei com os CDF's na aula de anatomia, saí arrastando banco e pisando firme e ganhei uma aula quase exclusiva, juntamente com o título de "braba" conferido pelo professor.
Passei com C em anatomia, rodei na cadeira da professora ruim, fiz uma tatuagem, fui para a praia com as colegas e arrumei um namorado ciumento. Ciumento, doido e motoqueiro, conhecido também como "o motoqueiro maluco". Foi aí que a mudança começou. Deixei de falar tudo o que pensava.
Tenho saudades do tempo em que o caminho entre o meu cérebro e a minha boca era mais curto, de quando não ficava quieta ao invés de dizer o que se merece, de quando não trazia as respostas para casa para ficar remoendo-as no banho ou enquanto congelo os dedos lavando a louça. Era bem melhor simplesmente vomitar as respostas e fazer que não percebeu a cara de espanto do atingido, dizer que não quero que isso fique ali, que eu não concordo com o que tu pensa, que isso me irrita profundamente, que aquilo tem que ser de outra forma.
Hoje em dia sou a pessoa educada, a enfermeira legal, a parente que não discute... E por aí afora, enquanto engulo lagoas inteiras de sapos. Meu medo é que dê indigestão.
Ah, sim, quer saber se o que eu escrevi é para ti? Se não é, um dia foi. Mas não adianta me perguntar, sou educada demais para responder.